Bem vindo à Koffie en Kersen
A manhã passou rápido para Rik e Niek. Na cafeteria, muitos assuntos atrasados para resolver. Rik havia perdido a noção de tempo, envolvido em trabalho. No apartamento acima, uma mente confusa demais para pensar de forma racional. Niek só percebeu que eram uma da tarde porque o antigo relógio pregado em uma das paredes da sala emitia um som de sino bem de leve, avisando a cada hora passada.
Vestido em roupas que não eram suas, colocando no bolso um molho de chaves que não era seu, e totalmente envergonhado pela situação, Niek entrou na Koffie en Kersen pela entrada principal, e se dirigiu até o balcão. Ele não conhecia os funcionários pelo nome, apesar de estar familiarizado com os rostos. Quem estava atendendo no momento era a moça de óculos redondo, cabelo preto curtinho e que transpirava simpatia. Ele ficou ainda mais encabulado quando ela sorriu ao vê-lo, e começou a conversa com naturalidade.
- Que bom que você está melhor, nós todos ficamos preocupados. O Rik avisou que você viria.
Ela pareceu notar que ele estava cada vez mais encabulado, mas também pareceu notar algo mais. Sem cerimônia, colocou a mão sobre o ombro dele, e o puxou para perto de si, como se fosse abraçá-lo, forçando-o por cima do balcão. A moça era bastante forte, e não deu ao frágil Niek nenhuma chance de se defender. Ao invés de abraçar, o gesto dela foi ainda mais constrangedor. Ela colou o rosto do lado do rosto dele, e disse baixinho em seu ouvido:
- Pode confiar nele, eu nunca vi o Rik tomando uma decisão errada.
Ein? Essa mulher é louca? Socorro, alguém me ajuda… Do que ela tá falando? Droga, sinto meu rosto corar. Eu preciso sair dessa situação…
Ele apoia as mãos no balcão e consegue se livrar dos “tentáculos grudentos” da moça. Ela não era alta, mas nesse momento Niek parecia ainda menor, como se estivesse encolhendo e fosse capaz de sumir a qualquer momento.
- He he…. é, você é mesmo fofo. Segue por ali, tem uma porta à direita debaixo da escada. O Rik está no escritório. Pode entrar sem bater, de dentro não dá pra ouvir o que acontece aqui fora.
Que cara é essa? Essa mulher é maníaca e está imaginando coisas… Droga… Onde eu fui me meter? Ela parecia normal… até agora…
- Obrigado.
Aquela figura patética, envergonhada e encolhida, que Niek havia acabado de se tornar após ser comicamente “assediado” pela garota de óculos segue rapidamente até os fundos da cafeteria olhando para baixo, morrendo de medo de ter se tornado o centro das atenções. Ele hesita um pouco antes de girar a maçaneta. A área de staff era pequena. Haviam alguns armários com portinholas individuais, uma mesinha onde provavelmente os funcionários faziam suas refeições, um banheiro, uma pequena copa e ao fundo, uma divisória de eucatex e vidro formando uma salinha onde ficava o escritório. E lá estava Rik, distraído entre o monitor de um computador e um monte de papéis espalhados. Niek deu duas batidas na porta da salinha, e esperou Rik olhar para ele para falar:
- Com licença?
Ele veio mesmo! Que alívio. Achei que eu ia ter de tomar uma atitude mais drástica. Ué, ele tá todo vermelho… É, se eu pressionar pode ser pior.
Rik fechou uma agenda, se levantou e veio até a porta. Indicou a mesa.
- Vamos almoçar? Podemos conversar sobre o trabalho enquanto comemos. Espero que não se importe com marmitex e que goste de peixe.
- Obrigado. Eu adoro peixe. Não sou chato com comida.
Niek estava novamente evitando contato visual. Ele se sentou no lugar indicado enquanto Rik preparou rapidamente a mesa e trouxe a comida.
… continua

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