domingo, 26 de fevereiro de 2017

Koffie en Kersen - Cena 7


Almoço


Sobre a mesa, duas marmitas com comida cuidadosamente preparada, parecendo bem apetitosa. Filé de peixe, batatas, legumes bastante coloridos.


Uma refeição equilibrada. Proteína, carboidratos, vitaminas. Quanto tempo faz que eu não como algo assim?


Rik havia saído por um instante, dando espaço para Niek ficar mais à vontade com a situação e o ambiente. Ele logo retorna com uma jarra de suco de melão, e serve a ambos sem cerimônia. Ele sorria, esbanjava jovialidade, tentando quebrar o clima tenso da situação.



- Espero que goste de legumes. Estou seguindo as orientações do seu médico. Escolhi algo leve mas que fosse cheio dos nutrientes que você precisa. Espero ter feito a lição de casa direitinho.  


- Está tudo certo sim. Você que escolheu os legumes? Está bem equilibrado.  


- Que bom. Minha especialidade é café, não comida. Vamos comer?


Niek consente. Ele ainda não havia tido coragem de olhar nos olhos de Rik. Eles comem em silêncio por alguns minutos. Rik eventualmente ergue os olhos e o encara rapidamente, para logo depois voltar à sua refeição. Niek parecia querer sumir por baixo da mesa. A maior parte da refeição já havia sido consumida quando finalmente o silêncio é cortado:


- Mas me diz, você já trabalhou em algum lugar como esse antes? A possibilidade de trabalhar aqui te incomoda?
A primeira pergunta era esperada, mas a segunda pegou Niek sem defesas.


- Eu… já fiz estágio num restaurante, mas o trabalho era na cozinha. Eu fazia faculdade de gastronomia, estava no segundo ano, mas parei faz seis meses. Eu nunca trabalhei atendendo clientes. Estou um pouco assustado. Tudo isso aconteceu muito rápido.  


O semblante de Rik foi do preocupado para o aliviado rapidamente, e no final da sentença de Niek, ele parecia bastante satisfeito… até mesmo feliz. Niek notaria se tivesse coragem de encará-lo nos olhos.


- Sério? A Ursula está precisando de ajuda na cozinha. É ela que faz os acompanhamentos do café. É uma cozinheira excelente, mas já está ficando velhinha. Ela não diz nada, mas eu tenho certeza que sovar a massa e bater o bolo já são demais pra ela. Eu já comprei as máquinas, mas ela é do tempo onde tudo era feito na mão e se recusa a usar. Os meninos ajudam ela na cozinha, mas não o tempo todo, preciso deles atendendo. Se você ficar lá com ela em tempo integral, acho que a coisa vai render. E vai ser menos assustador pra você, né?


Eu tô sonhando? De repente esse desconhecido me oferece um emprego que é basicamente o que eu sempre quis fazer…


Hmm? Droga, por que você não olha para mim? Levanta a cabeça, eu não consigo ver o seu rosto. Vai, fala alguma coisa…


Quando Niek finalmente ergueu a cabeça e teve coragem de encarar Rik nos olhos, novamente lágrimas desciam pelo seu rosto. Mas dessa vez, o seu semblante estava totalmente diferente. Era como se ele tivesse se livrado de um peso enorme. Havia um sorriso hesitante, mas sincero. O sorriso de alguém que já apanhou tanto da vida, que tem medo de demonstrar suas emoções, mas nesse momento, não é capaz de esconder. E ao encarar um Rik sorridente em sua frente, Niek corou. De novo. Mas fez um grande esforço para continuar encarando o, agora, patrão. Ele respondeu a pergunta sobre “ser menos assustador” com um gesto de positivo com a cabeça.


- O… obrigado.


E dessa vez, foi Rik que se sentiu meio constrangido e desviou o olhar.  


- Assim que terminar, eu vou apresentar o pessoal.  


Rik enfiou a última garfada de sua comida na boca e se levantou. A sala era pequena, ele não tinha para onde ir. Se enfiou no banheiro e foi lavar o rosto. E quase se assustou com o sorriso bobo que viu refletido no espelho.


É, eu não tenho jeito mesmo…

… continua


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